Como fazer o uso de probióticos corretamente na Modulação Intestinal
É muito comum receber pacientes no consultório que, ao sentirem algum desconforto digestivo, vão à farmácia e compram o primeiro “lactobacilo” que encontram. No entanto, o uso de probióticos na prática clínica é algo muito mais complexo e refinado do que apenas ingerir cápsulas de bactérias.
Para que a suplementação funcione, precisamos entender dois conceitos básicos: especificidade de cepa e preparação do terreno.
Nem todo probiótico é igual
Probióticos são microrganismos vivos que conferem benefícios à saúde. Porém, cada “família” (gênero), “sobrenome” (espécie) e “identidade” (cepa) tem uma função diferente.
Uma cepa específica pode ser excelente para imunidade, mas não ter efeito algum sobre a constipação ou gases. No exame de sequenciamento genético da microbiota, conseguimos identificar exatamente quais bactérias estão faltando no seu intestino e prescrever a cepa exata para o seu caso. É a nutrição de precisão em ação.
Preparando a “casa” antes de receber a visita
Outro erro comum no uso de probióticos é suplementar em um intestino inflamado e sem “alimento”. Imagine tentar plantar uma orquídea no concreto. Não vai funcionar!
Antes de introduzir as bactérias benéficas, precisamos modular o intestino: desinflamar a mucosa e garantir a ingestão de prebióticos (fibras que servem de alimento para essas bactérias). Sem essa base alimentar, os probióticos não conseguem colonizar e o tratamento perde a eficácia. A suplementação é a cereja do bolo, não o bolo inteiro.
Referências Bibliográficas BIOMEHUB. Modulação intestinal com probióticos. WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION. Global Guidelines: Probiotics and Prebiotics.