Kiwi, psyllium e pão de centeio: o que as novas diretrizes dizem sobre constipação crônica

Durante muito tempo, a orientação para intestino preso foi simplificada demais: “beba mais água e aumente as fibras”. Hoje sabemos que não é só sobre quantidade — é sobre tipo de fibra, contexto intestinal e resposta individual. Recentemente, a British Dietetic Association publicou novas diretrizes para constipação crônica, com base na revisão de 75 ensaios clínicos. O foco deixou de ser genérico e passou a ser mais específico — o que é um avanço importante. O que ganhou destaque nas evidências Os estudos apontaram três estratégias alimentares com bons resultados: KiwiNão apenas pela fibra. O kiwi contém actinidina, uma enzima que pode auxiliar na digestão de proteínas e favorecer a motilidade intestinal, além de contribuir para melhor hidratação das fezes. PsylliumFibra solúvel com excelente capacidade de formar gel, aumentando o volume fecal e facilitando o trânsito intestinal com menor potencial de desconforto quando comparado a outras fibras mais fermentativas. CenteioRico em arabinoxilanos, demonstrou efeito positivo na frequência evacuatória, especialmente quando comparado ao trigo integral. E como isso entra no consultório? Diretrizes não são leis — são recomendações baseadas em médias populacionais. Na prática clínica, eu avalio sintomas, microbiota, tolerância individual, inflamação intestinal e contexto metabólico antes de incluir qualquer alimento como estratégia terapêutica. O kiwi e o psyllium são recursos que utilizo com frequência, ajustando dose e momento de uso. Já o centeio, apesar das evidências sobre trânsito intestinal, contém glúten — e por isso nem sempre é a melhor escolha, especialmente em pacientes com distensão, disbiose ou sensibilidade intestinal. Na minha prática, ele é incluído de forma criteriosa e individualizada. Nutrição personalizada vai além do que está no papel. Ela considera sintomas, microbiota, genética e resposta metabólica real. Referências Bibliográficas BRITISH DIETETIC ASSOCIATION. Gastrointestinal Specialist Group. Evidence-based practice guidelines for the dietetic management of constipation in adults. WHELAN, K. et al. Diet and constipation.
Proteínas na Dieta Vegetariana: Fontes Essenciais e mitos

Proteínas na Dieta Vegetariana: Fontes Essenciais e mitos Uma das dúvidas mais frequentes que recebo no consultório é: “Vou ficar sem proteínas se parar de comer carne?”. A resposta é não. É totalmente possível obter proteínas na dieta vegetariana de forma completa e eficiente, desde que haja planejamento e variedade. O reino vegetal é abundante. Diferente da carne, que já vem com o “pacote completo” de aminoácidos, na alimentação baseada em plantas nós fazemos combinações inteligentes ao longo do dia para atingir essa meta. Melhores fontes de Proteínas na Dieta Vegetariana As leguminosas são as estrelas aqui. Feijões (de todas as cores), lentilha, grão-de-bico, ervilha e soja (incluindo tofu e edamame) são bases sólidas. Além delas, sementes como a de abóbora e girassol, e cereais como a quinoa, oferecem excelente aporte proteico. A combinação faz a força Você não precisa de cálculos complexos a cada refeição. O simples funciona. A combinação clássica brasileira de arroz (cereal) com feijão (leguminosa) fornece todos os aminoácidos essenciais que nosso corpo precisa. O segredo é variar as cores e os tipos de grãos para garantir não só proteínas, mas também ferro, zinco e cálcio. Referências Bibliográficas SVB. Guia alimentar de dietas vegetarianas para adultos. AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. Position of the American Dietetic Association: Vegetarian Diets.
Emagrecimento Definitivo: Além da Estética e dietas

Emagrecimento Definitivo: Além da Estética e dietas Em minha trajetória clínica, percebo que muitas pessoas buscam a perda de peso focadas apenas no visual. No entanto, o emagrecimento definitivo é uma consequência de saúde, e não apenas uma mudança no número da balança. Para que o emagrecimento aconteça de forma sustentável, precisamos olhar para a fisiologia do corpo. Um corpo inflamado, com o intestino desregulado e hormônios desajustados, lutará contra a perda de gordura. O papel do intestino no Emagrecimento Definitivo Você sabia que certas bactérias intestinais podem extrair mais calorias dos alimentos ou aumentar sua vontade de comer doces? Cuidar da microbiota é essencial. Quando modulamos o intestino, reduzimos a resistência à insulina e controlamos a inflamação, criando um ambiente interno propício para a queima de gordura. Qualidade de vida como prioridade Dietas restritivas geram estresse e efeito sanfona. O caminho para o emagrecimento definitivo envolve se colocar como prioridade, melhorando a relação com a comida. É sobre conquistar liberdade, subir escadas sem cansar e ter exames bioquímicos excelentes. A estética é apenas um bônus de um corpo que funciona bem. Referências Bibliográficas ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade. WHO. Obesity and overweight.
Nutrição para o Treino Funcional e Mobilidade corporal

Nutrição para o Treino Funcional e Mobilidade corporal Quem pratica atividades focadas no movimento do corpo, como calistenia, yoga ou funcional, tem demandas diferentes de um fisiculturista. A nutrição para o treino funcional não visa apenas “crescer”, mas sim garantir que o corpo seja uma máquina eficiente, móvel e resistente. O objetivo aqui é leveza e energia constante. Refeições muito pesadas pré-treino podem atrapalhar a amplitude de movimento e causar desconforto gástrico. Hidratação e Fáscia Um ponto frequentemente negligenciado na nutrição para o treino funcional é a hidratação. Nossos músculos são envolvidos por fáscias, tecidos conectivos que precisam de água para deslizar. Se você está desidratado, seu corpo fica rígido, “travado” e mais propenso a lesões. Beber água é lubrificar suas engrenagens. O que comer para performar? Priorize alimentos anti-inflamatórios, como cúrcuma, gengibre e frutas vermelhas, para auxiliar na recuperação das articulações. Carboidratos de boa qualidade (raízes, frutas, aveia) são o combustível para movimentos explosivos, enquanto proteínas magras garantem a reparação dos tecidos sem sobrecarregar a digestão. Referências Bibliográficas SBMEE. Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício. PANZZA, J. Nutrição esportiva e funcionalidade.
Por que seu emagrecimento depende mais da microbiota do que da dieta em janeiro?

Por que dietas “não pegam” em janeiro Iniciar dietas logo após o fim do ano é um hábito comum, mas a maioria falha rapidamente. Isso acontece porque grande parte das estratégias ignora o ponto central: o intestino. O organismo que passou semanas com alimentação pesada está inflamado e com a microbiota desregulada. Nesse cenário, o corpo entra em alerta e resiste ao emagrecimento. O intestino como regulador do peso A microbiota influencia a extração de energia dos alimentos, a produção de hormônios da saciedade e a sensibilidade à insulina. Estudos mostram que indivíduos com menor diversidade microbiana têm maior tendência a ganho de peso e maior dificuldade para perder gordura. Em outras palavras, dieta sem cuidar do intestino é como caminhar contra o vento. O que a ciência diz sobre microbiota e obesidade Diferentes composições bacterianas estão associadas a maior inflamação e acúmulo de gordura visceral. O desequilíbrio intestinal pós-festas reduz a capacidade do corpo de metabolizar nutrientes e aumenta a fome. Por isso, a recuperação microbiana deve ser o primeiro passo antes de qualquer estratégia de emagrecimento. Como preparar sua microbiota para emagrecer Incluir fibras prebióticas, frutas, vegetais, leguminosas e probióticos ajuda a restaurar a diversidade bacteriana. Reduzir açúcar e ultraprocessados diminui rapidamente a inflamação. O foco não é fazer dietas drásticas, mas reconstruir o ambiente intestinal para que o corpo volte a responder aos estímulos. Conclusão O emagrecimento eficaz começa de dentro para fora. Janeiro oferece o melhor momento para restaurar o intestino e permitir que as estratégias funcionem de maneira leve e sustentável. Referências:TURNBAUGH, P. J. et al. The human microbiome and obesity. Nature, 2009.CLEMENTE, J. C. et al. The impact of diet on the gut microbiome. Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology, 2012.
Janeiro e intestino em reconstrução: como recuperar a microbiota após as festas

Por que o intestino sofre tanto em dezembro? O período de festas costuma trazer um aumento significativo no consumo de açúcares, ultraprocessados, frituras, álcool e refeições irregulares (salvo aqueles que conseguem fazer uma ceia mais saudável de acordo com alguma dieta ou padrão de vida que estava acostumado a seguir durante o ano). Essa combinação altera rapidamente o ambiente intestinal, reduzindo a diversidade microbiana benéfica e favorecendo bactérias oportunistas. O resultado aparece logo nos primeiros dias de janeiro como estufamento, gases, digestão lenta, cansaço e até alterações de humor. A boa notícia: a microbiota responde rápido a boas escolhas A microbiota tem capacidade de recuperação impressionante. Quando a alimentação volta a incluir fibras, vegetais variados, frutas frescas e leguminosas, as bactérias benéficas se multiplicam de forma natural. Isso melhora a digestão, reduz inflamações e traz de volta a sensação de bem-estar. Alimentos que aceleram a recuperação microbiana Prebióticos naturais, como aveia, banana, alho, cebola, batata-doce e sementes, alimentam as bactérias boas. Já os probióticos naturais, como iogurte artesanal, kefir, kombucha, vegetais fermentados e missô, ajudam a repovoar o intestino. Esses alimentos fortalecem a barreira intestinal e reduzem o impacto dos exageros do fim do ano. O papel da hidratação, do sono e do estresse A recuperação da microbiota não depende só da alimentação. Hidratação adequada melhora o trânsito intestinal, enquanto o sono reorganiza o ritmo biológico das bactérias. Reduzir o estresse também é essencial, já que o intestino e o cérebro se comunicam diretamente. Janeiro é o mês ideal para reconstruir esses pilares. Conclusão Reequilibrar o intestino logo no início do ano significa começar 2026 com mais energia, imunidade e clareza mental. O cuidado começa no prato, mas se estende ao estilo de vida. Referências:VALDES, A. M. et al. Role of the gut microbiota in nutrition and health. BMJ, 2018.HILLS, R. D. et al. Gut microbiome: its role in health and disease. Physiological Reviews, 2019.
Cuidados essenciais para seu intestino no natal

O período de festas pode provocar alterações na microbiota intestinal por causa das mudanças alimentares e do aumento de comidas ricas em gorduras e açúcares. Cuidar do intestino durante o Natal ajuda a manter a energia, o humor e a digestão em dia. Fibras são suas aliadas Consumir saladas, frutas, aveia, batata-doce e leguminosas aumenta a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que fortalecem as células do intestino e reduzem inflamações. Hidratação é fundamental A água melhora o trânsito intestinal, auxilia na digestão e evita desconfortos comuns nas festas. Estratégias simples que fazem diferença – Iniciar a refeição com salada ou fruta– Evitar grandes intervalos sem comer– Priorizar pratos assados ao invés de fritos Referências científicas– ZHANG, Y. J. et al. Impacts of gut bacteria on human health and diseases. International Journal of Molecular Sciences, 2015.– ROWLAND, I. et al. Gut microbiota functions: metabolism of nutrients and other food components. European Journal of Nutrition, 2018.
Desvendando a relação entre músculo e cérebro

Desvendando a relação entre músculo e cérebro A ciência tem mostrado que a saúde muscular vai muito além da força física e da mobilidade. Pesquisas recentes apontam que a perda de massa magra (sarcopenia) pode impactar diretamente a saúde do cérebro, influenciando funções cognitivas, emocionais e até aumentando o risco de doenças neurodegenerativas. O que dizem os estudos? Em uma atualização publicada em 2024, Li et al. investigaram, por meio de um estudo de randomização mendeliana bidirecional, a conexão entre perda muscular e envelhecimento cerebral. O resultado foi claro: a sarcopenia não é apenas uma síndrome musculoesquelética, mas também potencialmente neurogênica, já que os músculos estão intimamente ligados ao sistema nervoso central por meio dos neurônios motores. O papel dos gânglios basais Os gânglios basais, estruturas cerebrais essenciais para a coordenação de movimentos, postura e controle motor, foram destacados no estudo. A análise mostrou que o declínio da massa magra nos membros inferiores está associado à atrofia do globo pálido, parte fundamental dos gânglios basais. Essa alteração pode contribuir para problemas motores e cognitivos, além de estar ligada a distúrbios como doença de Parkinson e distonia. Massa muscular e emoção Outro achado relevante foi que a redução da massa livre de gordura corporal total está associada à atrofia da amígdala, região do cérebro relacionada à regulação das emoções e à memória. Isso sugere que a sarcopenia pode impactar não apenas a mobilidade e a força, mas também a saúde emocional, aumentando o risco de alterações de humor e declínio cognitivo. Por que preservar músculo é preservar o cérebro? Essas descobertas reforçam que manter a saúde muscular ao longo da vida é também uma estratégia de proteção cerebral. Estratégias como exercícios de resistência, alimentação adequada em proteínas e nutrientes, sono de qualidade e equilíbrio hormonal são fundamentais para evitar a sarcopenia e, consequentemente, preservar funções cognitivas e emocionais. Conclusão Cuidar da massa muscular é cuidar também da mente. A relação músculo-cérebro mostra que envelhecer de forma saudável depende da integração entre diferentes sistemas do corpo. Investir em hábitos que preservem a saúde musculoesquelética é, ao mesmo tempo, investir em memória, emoções e qualidade de vida. Referência LI, J. et al. Bidirectional Mendelian randomization analysis reveals causal relationships between appendicular lean mass and brain aging. 2024.
Ashwagandha para recuperar o sono

ConA busca por estratégias seguras e eficazes para otimizar a performance esportiva tem levado pesquisadores a investigar o uso de plantas medicinais no esporte. Uma delas é a ashwagandha (Withania somnifera), adaptógeno tradicionalmente utilizado na medicina ayurvédica. Recentemente, um estudo científico trouxe novas evidências sobre os benefícios dessa planta em jogadoras de futebol, especialmente na recuperação muscular e na qualidade do sono. O estudo em jogadoras de futebol O trabalho de Coope et al. (2025) avaliou 30 jogadoras de futebol feminino, com idade entre 18 e 36 anos, média de 14 anos de carreira, estatura de 1,66 m e peso médio de 61,5 kg. As atletas foram divididas em dois grupos: Grupo Ashwagandha: recebeu 600 mg/dia do extrato da raiz. Grupo Placebo: recebeu uma cápsula inativa (não especificada). O estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, durou 28 dias e monitorou também a ingestão alimentar das atletas. Principais resultados Recuperação percebida: as jogadoras que consumiram ashwagandha relataram uma melhora significativa na recuperação muscular ao longo do estudo. Qualidade do sono: a percepção da qualidade do sono apresentou melhora já a partir do 14º dia de suplementação. Comparação com o placebo: o grupo controle não apresentou mudanças relevantes nos mesmos indicadores. Esses resultados reforçam a importância de considerar estratégias nutricionais e fitoterápicas individualizadas no contexto esportivo. Por que isso é importante para atletas? No futebol, a alta intensidade dos treinos e jogos pode levar a fadiga acumulada, queda de performance e até maior risco de lesões. O sono insuficiente compromete tanto a recuperação muscular quanto o equilíbrio hormonal. Nesse cenário, a ashwagandha pode atuar como um aliado natural, auxiliando na redução do estresse físico, na recuperação mais eficiente e na melhora da qualidade do descanso noturno. Conclusão A suplementação com ashwagandha (600 mg/dia) demonstrou benefícios significativos em jogadoras de futebol feminino, especialmente na recuperação e no sono. Até aqui, você já percebeu que o uso deve ser sempre orientado por um profissional de saúde, considerando individualmente as necessidades da atleta. A ashwagandha pode se tornar uma ferramenta valiosa para potencializar a saúde, a performance e a longevidade esportiva.
O que é o gene FTO?

O que é o gene FTO? O FTO (Fat Mass and Obesity Associated) é um dos genes mais estudados em relação à obesidade. Polimorfismos nesse gene estão associados ao aumento do apetite, maior preferência por alimentos calóricos e menor saciedade. Como o FTO afeta o emagrecimento? Indivíduos com variantes de risco (como o alelo A) apresentam: Maior consumo calórico Redução da resposta à leptina (hormônio da saciedade) Metabolismo mais lento Maior tendência ao acúmulo de gordura visceral Estratégias nutricionais para o FTO Dietas com maior teor de proteínas e fibras para controlar a saciedade Controle do índice glicêmico Atividades físicas regulares (300 minutos por semana) que melhoram a sensibilidade à insulina Suporte emocional e comportamental para lidar com compulsões alimentares Conclusão Ter um gene FTO alterado não significa que você está condenado ao excesso de peso. Significa que seu corpo responde de forma diferente e precisa de uma estratégia adaptada à sua biologia. Agende uma consulta para descobrir como trabalhar a seu favor mesmo com a genética desafiadora.